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Entre o desemprego e a inflação



20/11/2015


O avanço do desemprego e o aumento da taxa de inflação são os dois parâmetros básicos que norteiam as novas ações que o governo da presidente Dilma Rousseff tenta articular para retomar o crescimento da economia brasileira. Os dados divulgados hoje pelo IBGE sobre a taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas e o IPCA-15, que fornece uma prévia para a inflação deste mês, não deixam dúvida que o país vive um cenário que combina recessão e preços elevados. 


A elevação da taxa de desemprego para 7,9% nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, no mês de outubro, significa que o contingente de desempregados atingiu 1,9 milhão de pessoas. Apenas um ano antes, o nível de desocupação registrava modestos 4,7%, um patamar próximo ao pleno emprego. Essa brusca mudança é um dos fatores responsáveis pela baixa popularidade da presidente Dilma Rousseff. A expectativa é que o nível de desemprego avance para a casa de dois dígitos no início do próximo ano. 

No campo da inflação, o limite emblemático dos dois dígitos já foi rompido no cálculo do IPCA-15 acumulado nos últimos doze meses até novembro: 10,28%. O impacto maior nos preços neste mês esteve relacionado aos combustíveis, que empurraram o índice mensal para 0,85%. Nesse ponto, os consumidores pagam o custo do longo período de retenção dos preços de combustíveis, que visou justamente conter os índices de inflação no ano estratégico de 2014, quando se realizaram eleições presidenciais. 

As informações de que os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e do Desenvolvimento, Armando Monteiro, estão realizando encontros com entidades empresariais para discutir uma agenda de crescimento para o país têm relação com esse quadro extremamente negativo retratado pelos indicadores de emprego e inflação. Para o Palácio do Planalto, é crucial que o ano de 2016 comece com uma nova perspectiva, que não se restrinja aos esforços de ajuste fiscal, conduzidos pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. 

É verdade que Levy tem participado de outras iniciativas para tentar destravar a economia, como a negociação de mudanças nas parcerias público-privadas e concessões na área de infraestrutura. Mas é incontornável a constatação de que os principais interlocutores do governo com a área empresarial estão fora do Ministério da Fazenda. O que retira o protagonismo de Levy na condução da política econômica e confirma o desconforto do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT) com seu perfil de atuação, considerado mais adequado a um cargo que já exerceu – o de secretário do Tesouro Nacional. 

Com mudança ou não na titularidade da Fazenda, a realidade de uma inflação anual de dois dígitos como a que o país já enfrenta impõe limites às medidas que o governo articula com os empresários privados. Se forem adotados mecanismos que retirem a potência da política monetária, como a liberação de depósitos compulsórios dos bancos ou uma ampliação maciça de financiamentos, não é improvável que os esforços do Banco Central para controlar a inflação sejam colocados por terra mais uma vez. 

Foi assim que, no passado recente, construiu-se o cenário de desequilíbrio enfrentado hoje pela economia brasileira. A execução de uma estratégia monetária restritiva pode ser comprometida por uma política fiscal muito expansionista, resultando em mais inflação. O desafio do governo é estimular a retomada dos investimentos sem ampliar ainda mais o surto inflacionário. Até porque a elevação de preços, como mostram com clareza as pesquisas de opinião, é tão impopular quanto o avanço do desemprego.

por Beth Cataldo




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